Meditando Sobre o Amor

Amor e prazer são uma questão de ajustamento da mente. A mente é o demiurgo do mundo que pensa criar sem a ajuda de Sophia e que reconhece sua própria criação como a única e verdadeira realidade. De fato, tudo o que provém do demiurgo é ilusão e confusão. Para compreender sua natureza e coloca-lo novamente sob o controle da sabedoria de Sophia é necessário aceitar todo o tipo de experiência que a vida coloca diante de nós e mergulhar de modo profundo no reino infernal a que esta experiência nos leva, sem medo e sabendo que somos seres eternos, feitos de tal material que nenhum fogo pode destruir, mas apenas transmutar. Deste modo, da morte para o renascimento e uma vez mais do renascimento para a morte purificamos nossas almas a fim de visualizar a verdadeira essência de Sophia dentro de nós.

Vivemos num mundo de cascas, somente o profundo amor e desejo de enlace com Sophia, reconhecendo a esterilidade daquilo que nos cerca, pode despertar em nossos corações a mais poderosa vontade para abandonar as cascas e renascer em outro mundo, desta feita, com o demiurgo completamente redimido, redenção esta possível apenas pelo amor ao amor.

Nada recusar traz o entendimento de que tudo aquilo que faz parte de nossa natureza é puro, aspectos que fazem parte do sagrado caminho em direção ao ajustamento de nosso próprio ser.

O amor, enquanto sob o ponto de vista humano é ilusão, assim como, a necessidade de encontrar um complemento fora de nós mesmos é também ilusão. Espelhos que jogamos uns sobre os outros sem entender que o único complemento possível está dentro de nós e de ninguém mais, que a única felicidade possível é aquela que nasce de nosso próprio interior e é livre da necessidade de qualquer tipo de acessório passível de ser encontrado no mundo das cascas.

Somente quando este estado é alcançado, com a necessidade completamente abolida, é que podemos compreender o significado do amor e em verdade amar alguém.

O sentimento de solidão é uma ilusão que cria um poderoso vácuo que atrai para o seu interior milhares de demônios, cuja única função é cegar e dificultar o entendimento. Também o conceito humano sobre o amor, desenvolvido através dos tempos, é um demônio difícil de vencer.

O mundo, em geral, define o amor como uma benção dos céus que independe de nossa vontade, uma força poderosa e irascível que, absorvendo nossa essência, nos arrasta por caminhos desconhecidos, por vezes cheios de beleza, por vezes cercados da mais profunda escuridão. Mas como já escrito no Santo Livro: “Nem permitais que os tolos confundam amor; pois há amor e amor. Há a pomba, e há a serpente. Escolhei vós bem!” Liber AL, cap. I, v. 57.

É seguindo o conceito cego de que o amor é algo independente de nossas vontades que nos vemos por diversas vezes durante nossas vidas cair sob o cruel jugo do amor, acumulando frustração em cima de frustração, para muitos fonte de um terrível medo de amar.

Se realmente desejo ardentemente a redenção de minha alma a fim de me apossar da minha própria liberdade devo matar meu coração, matar não por temor ao amor, mas por uma compreensão mais elevada do seu significado.

Matar o coração parece uma grande blasfêmia aos olhos do mundo. Os homens veem pouco e sentem pouco. Eu mato por amor ao amor, pela chance de união.


Autora: Soror Sophia